Recentemente me deparei com uma reflexão que ficou ecoando
na minha cabeça por vários dias.
Vivemos em uma época em que muitas pessoas desejam fazer parte de algo maior.
Querem visibilidade, reconhecimento, oportunidades, clientes, conexões e
crescimento profissional. E não há nada de errado nisso. Afinal, todos buscamos
evoluir.
O problema surge quando passamos a enxergar as organizações, associações e
movimentos apenas pelo que eles podem nos oferecer, sem refletir sobre aquilo
que também podemos oferecer em troca.
Foi então que me veio uma pergunta simples:
E se Rodrigo Sabatini tivesse pensado apenas em si mesmo?
Talvez essa pergunta pareça estranha para quem conhece pouco a história do
movimento Lixo Zero no Brasil. Mas ela é extremamente relevante.
Se o objetivo fosse apenas construir uma empresa própria, vender serviços ou
concentrar conhecimento, provavelmente seria muito mais simples seguir sozinho.
Seria mais rápido, exigiria menos diálogo e envolveria menos responsabilidades.
Mas a escolha foi diferente.
Ao longo dos anos, foi construída uma rede. Uma estrutura capaz de conectar
pessoas, organizações, empresas, escolas, universidades, gestores públicos e
profissionais de diferentes regiões do país em torno de um propósito comum.
Essa decisão permitiu que surgissem consultores, embaixadores, auditores,
educadores ambientais, empreendedores e inúmeras iniciativas que hoje atuam de
forma independente, mas que tiveram algum contato com essa construção coletiva.
Nenhuma dessas oportunidades surgiu por acaso.
Elas existem porque alguém acreditou que compartilhar conhecimento gera mais
resultados do que concentrá-lo.
Existe uma diferença importante entre participar de uma rede e fortalecer uma
rede.
Participar é usufruir dos benefícios que ela oferece.
Fortalecer é contribuir para que outras pessoas também tenham acesso aos mesmos
benefícios.
É compreender que capacitar novos profissionais não cria concorrentes. Cria um
ecossistema mais forte.
É entender que disseminar conhecimento não reduz oportunidades. Amplia
mercados.
É perceber que o crescimento coletivo não enfraquece iniciativas individuais.
Pelo contrário: cria um ambiente mais saudável para que todos possam prosperar.
Talvez esse seja um dos maiores desafios dos movimentos associativos.
Muitas pessoas enxergam a contribuição financeira como sua única
responsabilidade. E, sem dúvida, os recursos são importantes. Organizações
precisam de sustentabilidade para existir.
Mas o verdadeiro fortalecimento de uma rede acontece quando seus integrantes
também compartilham conhecimento, participam das atividades, incentivam novas
formações, estimulam o desenvolvimento de lideranças e ajudam a multiplicar
aquilo que receberam.
Redes fortes não são construídas apenas por quem está na diretoria.
São construídas por todos que compreendem que fazer parte de algo maior exige
mais do que receber benefícios.
Exige compromisso com a continuidade.
Exige responsabilidade com as próximas gerações.
Exige a compreensão de que o espaço que ocupamos hoje foi preparado por pessoas
que vieram antes de nós.
Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja o que a rede pode fazer
por nós.
Talvez a pergunta correta seja:
O que estamos fazendo para que essa rede seja ainda mais forte para aqueles que
virão depois de nós?
Porque, no fim das contas, os maiores legados não são construídos por quem
acumula oportunidades. São construídos por quem cria oportunidades para
os outros.
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