Há um ponto que precisa ser dito com clareza: governar não é apenas administrar o presente. É assumir responsabilidade pelo futuro. Em um cenário de desafios ambientais cada vez mais complexos, a gestão pública não pode ser reativa. Ela precisa ser preparada, consciente e propositiva.

Foi com essa compreensão que o prefeito e o secretário de Meio Ambiente de Florianópolis participaram de uma capacitação internacional na Califórnia, tendo como principal referência a cidade de San Francisco. Não se tratou de uma viagem institucional, mas de um movimento deliberado de qualificação da gestão pública.

Florianópolis foi reconhecida pelas Nações Unidas como uma das 20 cidades do mundo que avançam rumo ao Lixo Zero – assim como San Francisco. Estar nessa lista não é um prêmio. É uma responsabilidade. É um compromisso com a excelência.

Mas esse reconhecimento não diz respeito apenas ao poder público. Ele reflete um pacto social construído ao longo do tempo – uma combinação de políticas públicas e participação ativa da sociedade. Esse pacto foi reconhecido internacionalmente e precisa agora ser respeitado e fortalecido.

E excelência não se improvisa. Ela se constrói com planejamento, aprendizado contínuo e a coragem de buscar o que há de mais avançado. San Francisco, uma cidade de porte, características e vocações semelhante, já desvia mais de 70% dos resíduos do aterro por meio da reciclagem e da compostagem.

Isso é resultado de política pública consistente e decisões que levaram a um engajamento da população, por uma meta estabelecida e pactuada.

O conceito de Lixo Zero deixa isso evidente. Ele não é um destino final, mas um processo permanente de melhoria. Por isso falamos em cidades “rumo ao Lixo Zero”: há sempre o que aprimorar. Mas há um ponto central: governar bem não é apenas organizar sistemas. É criar condições para que o cidadão exerça sua cidadania de forma plena – com informação, estrutura e possibilidade real de participação.

Essa é a dimensão ética da gestão pública. É um modelo baseado na corresponsabilidade entre sociedade e poder público.

É aqui que entra a ideia de futuridades. Governar é decidir hoje sobre aquilo que será consequência das escolhas feitas agora. É garantir futuros sustentáveis.

A missão na Califórnia foi, portanto, um ato de responsabilidade. Um gesto de quem entende que ocupar posição de destaque exige compromisso com o futuro.